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Redação
São José dos Campos
Um silêncio incomum tomou conta do plenário do Senado minutos após a decisão que cassou o mandato de Demóstenes Torres (sem partido-GO) por suspeita de ter usado seu cargo para favorecer negócios de Carlinhos Cachoeira. Onze de julho foi um dia de “constrangimento”, conforme descrito pelos parlamentares, que entrou para a história da Casa.
Demóstenes foi o segundo senador “derrubado”. O primeiro a cair foi Luiz Estevão, em 2000. A decisão o impedirá de se candidatar a cargos eletivos até 2027. Até o surgimento das denúncias, Demóstenes, com 51 anos, era tido como uma reserva moral e defensor da ética, além de grande conhecedor das leis e do regimento interno do Senado.
Seis horas depois de perder o mandato, o ex-senador anunciou no Twitter que recorreria ao Supremo Tribunal Federal para reaver sua cadeira no Senado. “Vou recuperar o mandato que o povo de Goiás me concedeu. Fui cassado sem provas, sem direito à ampla defesa e sem ter quebrado do decoro.” Mas não terá o apoio de seu advogado Antonio Carlos de Almeida Castro. “Para mim, o processo terminou. A decisão do Senado é soberana”, afirmou o advogado.
O apoio partiu da família. Sua afilhada Larissa enviou mensagem de apoio: “Força na peruca. A família unida com o senhor”, escreveu. O torpedo, enviado ao celular de Demóstenes durante a sessão, ganhou destaque na imprensa. Com a cassação de Demóstenes, quem assumiu uma cadeira no Senado foi o secretário de Infraestrutura de Goiás, Wilder Pedro de Morais (DEM), primeiro suplente de senador goiano. Morais é ex-marido de Andressa Mendonça, atual mulher de Carlinhos Cachoeira, pivô do escândalo que resultou na queda do senador. Ironia do destino?

