26 de Julho de 2012 às 10h16
Da Redação São José dos Campos
As mortes decorrentes de confrontos com policiais militares vêm apresentando seguidas elevações desde o terceiro trimestre de 2011, de acordo com os dados sobre criminalidade divulgados quarta-feira (25) pela Secretaria da Segurança Pública (SSP) de São Paulo.
Os números ainda apontaram aumento do número de homicídios dolosos no primeiro semestre de 2012.
Nos meses de julho, agosto e setembro do ano passado, por exemplo, foram contabilizados 92 mortos por PMs no Estado. Deste total, 45 ocorreram na capital. Em relação ao trimestre seguinte, houve aumentos destes índices de 12,7% no Estado e de 26,6% na capital. Nos meses de outubro, novembro e dezembro de 2011, policiais militares mataram 104 suspeitos no Estado, sendo 57 - mais da metade - na capital.
Depois de três meses, já em 2012, mais acréscimo nos índices: de 7,69% no Estado e 12,2% na capital. Nos meses de janeiro, fevereiro e março, 112 pessoas morreram em confrontos com policiais no estado e 64, novamente mais da metade, na capital. E, finalmente, no segundo semestre deste ano, novas altas, principalmente nos índices da capital, 18,75% - no Estado, foi de 4,46%. De acordo com a SSP, 117 suspeitos morreram ao enfrentar PMs no estado. Na capital, foram 76 mortos, mais de 53% do total contabilizado no período.
Levando-se em consideração para efeitos de compração o período de nove meses, as elevações são ainda mais significativas. Apenas na capital, a PM matou 68,8% a mais no período: saltou de 45 para 76 mortes. No Estado, o aumento foi de 27,17%: de 92 para 117 pessoas mortas por policiais.
Desde abril do ano passado, após uma testemunha ter ligado para o Copom para falar sobre policiais militares que executavam um suspeito dentro de um cemitério na capital paulista, o governador Geraldo Alckmin determinou que ações policiais que resultassem em resistência à prisão seguidas de morte fossem investigadas pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e não somente pela Corregedoria da PM.
De acordo com Jorge Carlos Carrasco, diretor do DHPP, ao menos 35% dos inquéritos que investigaram mortes de civis em confronto com policiais foram concluídos até o final de maio deste ano, quando ele concedeu entrevista sobre seis suspeitos mortos em uma ação da Rota no estacionamento de bar na Penha, na Zona Leste da capital. Na ocasião, ele considerou que toda a ação dos integrantes do grupo de elite da PM “como legítima”, mas ressaltou que “havia indícios” de execução no caso de uma das vítimas dos policiais.
O total de homicídios dolosos (quando há a intenção de matar) cresceu 21% na capital paulista e 8,39% no Estado de São Paulo no primeiro semestre de 2012, de acordo com as estatísticas divulgadas pela SSP.
No Estado, o crescimento no número de homicídios se deve ao registro de 2.183 casos no semestre de 2012, contra 2.014 no mesmo período de 2011, um aumento de 169 ocorrências. Na capital paulista, o total de homicídios chegou a 585 no semestre, contra 482 nos seis primeiros meses do ano passado.
Se comparado os dados de homicídios registrados em junho do ano passado com o mês de junho de 2012, o aumento no número de assassinatos foi de 46,9%. A partir do número divulgado ontem, São Paulo tem atualmente taxa de 10,3 casos de homicídios por cada 100 mil habitantes, e saiu da faixa recomendada pela OMS (Organização Mundial da Saúde).
O aumento da violência se refletiu também no aumento do número de roubo de carros, tanto na capital quanto em todo o Estado, na comparação entre os semestres. Em 2011, foram roubados 18.797 veículos na capital, contra 23.028 ocorrências deste tipo em 2012, uma alta de 22,5%. No Estado, a elevação foi de 19,36%. No primeiro semestre do ano passado, 37.652 carros foram alvo de criminosos. No mesmo período deste ano, o número de casos atingiu 44.944.